Maputo, 13 Out (AIM) – A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) prevê remover cerca de 21,7 milhões de metros cúbicos de material, no prazo de 12 meses, no âmbito do projecto de dragagem de aprofundamento e alargamento do canal de acesso ao porto, recorrendo a sete embarcações especializadas.
O equipamento inclui dragas de sucção e de corte, barcaças de transporte e uma embarcação de apoio, destinadas a executar os trabalhos de remoção de material no canal de acesso.
Segundo o director executivo da MPDC, Osório Lucas, o projecto permitirá atingir uma profundidade máxima de cerca de 15,3 metros e praticamente duplicar a largura do canal nos seus principais segmentos, aumentando a capacidade de acesso de navios de maior dimensão.
O responsável explicou que o investimento deverá contribuir para melhorar a eficiência das operações portuárias e reforçar a competitividade do Porto de Maputo, permitindo o transporte de maiores volumes de carga por escala, maior regularidade dos serviços e mais previsibilidade para os clientes.
“Uma carga que utiliza o Porto de Maputo não conhece os factores de diferenciação entre as várias instituições que intervêm na sua viagem”, afirmou Osório Lucas, sublinhando que, do ponto de vista do cliente, existe uma única viagem, desde a origem até ao destino.
O director executivo observou que, para os clientes, não existem separadamente o navio, o terminal, a ferrovia, a estrada, a fronteira ou os processos documentais, mas uma única cadeia logística.
Acrescentou que, quando um dos elos dessa cadeia não acompanha a evolução dos restantes, toda a operação perde eficiência, podendo comprometer a competitividade do porto como alternativa para o transporte de mercadorias.
O aprofundamento e o alargamento do canal de acesso deverão igualmente acompanhar os investimentos em curso na expansão da capacidade dos terminais portuários, nomeadamente o terminal de contentores, cuja capacidade deverá atingir 650 mil TEUs, o terminal de carvão, com capacidade prevista de 12 milhões de toneladas, e o terminal de minérios a granel, projectado para movimentar 20,6 milhões de toneladas.
Segundo Osório Lucas, os benefícios do projecto vão além da possibilidade de receber navios de maior dimensão, abrangendo também o aumento da carga transportada por escala, a melhoria da regularidade dos serviços e a criação de condições para o desenvolvimento de novas soluções logísticas.
O projecto poderá ainda criar espaço para navios de abastecimento e ampliar as oportunidades de participação de empresas moçambicanas nas actividades económicas geradas em torno do porto.
O director executivo da MPDC advertiu, entretanto, que o aumento da capacidade marítima deve ser acompanhado por melhorias nos restantes componentes do corredor logístico, nomeadamente nos transportes ferroviário e rodoviário, nos procedimentos fronteiriços e na tramitação documental.
“A eficiência ferroviária e rodoviária, a fluidez na fronteira e a agilidade dos processos documentais são determinantes para transformar a capacidade adicional do porto em ganhos efectivos para toda a cadeia logística”, afirmou.
O responsável salientou que a experiência das sucessivas fases de desenvolvimento do Porto de Maputo demonstra a necessidade de assegurar uma evolução coordenada entre a capacidade portuária e os restantes elos do corredor, de modo a garantir que os investimentos se traduzam em benefícios para os operadores económicos e os clientes.
Osório Lucas defendeu igualmente que o crescimento da actividade portuária deve gerar benefícios para o país, através das rendas de concessão, dos impostos e dos dividendos destinados ao accionista Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM).
Neste contexto, considerou que a ligação entre o desempenho operacional do porto e os benefícios públicos constitui uma componente essencial do valor dos investimentos realizados no sector.
O director executivo enalteceu ainda o trabalho da empresa estatal chinesa de engenharia e construção China Road and Bridge Corporation (CRBC), destacando a sua participação em projectos de infra-estruturas, incluindo a construção de pontes e os trabalhos relacionados com o desenvolvimento futuro do Porto de Maputo.
Na ocasião, Osório Lucas reconheceu que a execução do projecto poderá exigir ajustamentos e decisões rápidas perante os desafios que surgirem durante os trabalhos.
“Como sabemos e dizemos aos mais jovens, isto acaba de começar. Haverá dias difíceis e decisões que terão de ser tomadas com rapidez”, afirmou.
O responsável destacou também o reconhecimento, por parte do Presidente da República, Daniel Chapo, da importância estratégica da obra de dragagem para o desenvolvimento do Porto de Maputo.
“Os meus colegas já conhecem este nosso lema de cor e salteado: ‘We try again, we fare better’”, afirmou, defendendo a necessidade de aprender com os desafios e melhorar continuamente a execução do projecto.
Osório Lucas considerou, por fim, que o empreendimento deve ser executado à altura da confiança depositada pelo Estado, pelos accionistas e pelos demais intervenientes no desenvolvimento do Porto de Maputo.
(AIM)
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