A Bradsaúde teve um terceiro trimestre acima do consenso em diversas linhas – fazendo a ação subir 4% no início do pregão.
O lucro aumentou 14% na comparação anual e chegou a R$ 1,1 bilhão, 10% acima do consenso. A receita cresceu 9% no mesmo período para R$ 14,3 bilhões.
O ROE caiu para 22,2% frente aos 24,1% do segundo tri, mas o
management diz que é preciso olhar a evolução em ciclos mais longos: em 12 meses, o ROE subiu para 25,4%, quase um ponto acima dos 24,5% nos 12 meses até setembro de 2025. Em 2023, estava em 11%.
“A companhia mudou de patamar em rentabilidade,” disse José Pacheco, o diretor de RI.
Na visão do mercado, o destaque do tri foi a qualidade operacional do resultado.
A sinistralidade, que
havia assustado no segundo tri, cresceu apenas 0,5 ponto percentual em um ano, atingindo 84,5%, 100 pontos-base melhor que o consenso.
Com isso, o resultado operacional – excluindo a parte financeira – cresceu 31% no tri a tri e 5% no ano, para R$ 764 milhões.
“O foco da empresa tem sido um crescimento saudável, com sinistralidade controlada, o que se reflete na rentabilidade,” Olavo Arthuzo, o analista de saúde do UBS BB, disse ao
Brazil Journal.
“Mas o tíquete médio está menor, e por isso não esperamos um crescimento robusto do
top line.”
Os prêmios somaram R$ 14,1 bilhões no trimestre, um crescimento anual de 9% mas abaixo do esperado pelos analistas.
Ao mesmo tempo, a empresa tem ganhado mercado: o
market share em planos de saúde aumentou de 7,3% entre julho e setembro de 2025 para 7,9% no trimestre.
“É difícil equilibrar todos os pratos e crescer em vidas e prêmios com sinistralidade controlada,” disse o CEO Carlos Marinelli. “Mas acho que a equação a que chegamos – com expansão de receitas e vidas e sinistralidade controlada – é um bom resultado para nossos acionistas e clientes.”
Marinelli lembrou que a empresa tem crescido no segmento de PMEs, que está pressionado financeiramente pela situação econômica do País e precisa controlar custos.
Outro destaque foi a melhora nos números da Atlântica Hospitais, que lucrou R$ 139 milhões nos 12 meses até setembro – bem acima dos R$ 26 milhões de 2025 e revertendo os prejuízos registrados em 2023 e 2024.
A Atlântica está contribuindo com 4% do resultado da Bradsaúde este ano – acima do 1% registrado em 2025. A Bradesco Saúde contribuiu com 83% este ano, a Odontoprev, 11%, e os demais negócios, como Orizon e Fleury, 2%.
O resultado financeiro da Bradsaúde somou R$ 685 milhões no terceiro trimestre, bem abaixo dos R$ 930 milhões do tri anterior.
O motivo foi o IPCA de 0,1% no período, o que fez com que essa carteira, que é 60% ligada a papéis atrelados ao IPCA, tenha rendido apenas o cupom nesse intervalo, segundo o UBS.
Para o BTG, se os juros de fato caírem, o lucro pode ser pressionado “dada a expressiva posição de caixa líquido da companhia e sua exposição às receitas financeiras”.
“Mas o desempenho operacional acima das expectativas ajuda a compensar eventuais revisões para baixo nas projeções de lucro”, escreveram os analistas do banco, que tem
buy para as ações.
Junto com o balanço, a Bradsaúde anunciou um dividendo adicional de R$ 1 bilhão, elevando as distribuições anunciadas no ano para cerca de R$ 1,5 bilhão.
O total, porém, está abaixo do
payout de 50% previsto pela empresa. Para Arthuzo, do UBS, esse
payout deve aumentar para 60% em 2027 e chegar a 80% em 2029 à medida que a companhia equilibra sua estrutura de capital.
Segundo o analista, o patrimônio líquido médio está abaixo do esperado em razão dos ajustes feitos para criar a Bradsaúde. “A tese da empresa é essa otimização de capital,” disse ele, que também tem
buy para a ação.
O papel negocia a menos de 9 vezes o lucro projetado para 2027, e a companhia vale cerca de R$ 9 bilhões na Bolsa.