Maputo, 23 Out (AIM) – A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) defende que a investigação científica deve fornecer evidências sólidas para orientar as decisões do Estado moçambicano, sobretudo na prevenção e gestão dos riscos associados às mudanças climáticas.
“A investigação produzida na UEM visa municiar o Estado moçambicano com evidência sólida para tomada de decisão”, disse o reitor da mais antiga instituição do ensino superior de Moçambique.
Segundo Manuel Guilherme Júnior, que falava no Primeiro Simpósio de Adaptação e Resiliência Climática em Moçambique, a produção científica deve ultrapassar os limites da academia e chegar às instituições públicas, ao sector produtivo, à sociedade civil, aos órgãos de comunicação social e às comunidades, de modo a contribuir para a resolução de problemas concretos do país.
A orientação enquadra-se na visão estratégica da UEM de se afirmar como uma universidade de investigação, reforçando a capacidade de produzir conhecimento que responda aos desafios nacionais e apoie a formulação de políticas públicas.
Guilherme Júnior defendeu que a intervenção da universidade nos desastres naturais não deve limitar-se à resposta depois da ocorrência desses fenómenos extremos, mas sim incluir o aconselhamento, a prevenção e o trabalho directo com as comunidades.
“Temos de estar em condições de aconselhar, fazer advocacia, trabalhar com as comunidades usando a ciência”, declarou.
A UEM tem participado em intervenções relacionadas com desastres através de diferentes unidades orgânicas, incluindo as áreas de medicina, arquitectura e engenharia.
Para o reitor, o conhecimento acumulado pela instituição deve ser mobilizado de forma a contribuir para a antecipação de riscos e a preparação de respostas adequadas às necessidades da população.
O desafio assume particular importância num país exposto a ciclones tropicais, secas prolongadas, cheias e erosão costeira, fenómenos que afectam comunidades, infra-estruturas e actividades económicas.
Neste contexto, o reitor considerou importante fortalecer as parcerias estratégicas internacionais, sobretudo para facilitar o acesso ao financiamento climático, à transferência de tecnologia e à adaptação de soluções às condições nacionais.
Entre as áreas que exigem respostas sustentadas pela ciência estão os sistemas de monitoria e aviso prévio, as energias renováveis, as tecnologias agrícolas e a restauração dos ecossistemas costeiros, marinhos e terrestres.
O académico evocou ainda a orientação histórica segundo a qual “é a Universidade que deve ir ao povo”.
Segundo Guilherme Júnior, no contexto actual, a instituição deve aproximar-se da sociedade e contribuir para soluções concretas no terreno.
O Primeiro Simpósio de Adaptação e Resiliência Climática em Moçambique decorre durante dois dias, até esta sexta-feira, e visa promover a produção, sistematização, comunicação e partilha de conhecimento científico sobre adaptação e mudanças climáticas.
A iniciativa constitui um espaço de reflexão sobre o contributo da investigação para reduzir riscos de desastres e reforçar a capacidade do país para enfrentar os impactos climáticos.
(AIM)
SNN/mz
