Maputo, 15 Out (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, considera fundamental o cumprimento dos compromissos financeiros assumidos pelos parceiros internacionais para garantir a reconstrução das zonas afectadas por calamidades em Moçambique.
O Chefe do Estado falava quinta-feira (15), na abertura do Primeiro Congresso Internacional da Acção Humanitária e Cooperação, que decorre na cidade da Beira, província de Sofala, num contexto em que o país continua a enfrentar os efeitos de fenómenos climáticos extremos.
Chapo recordou que, após a passagem dos ciclones Idai e Kenneth, em 2019, uma conferência internacional de doadores anunciou cerca de 10,2 mil milhões de dólares para apoiar a reconstrução. Contudo, mais de sete anos depois, apenas aproximadamente um terço desse montante tinha sido desembolsado.
O governante considerou que a diferença entre os compromissos anunciados e os recursos efectivamente disponibilizados constitui um desafio para os esforços de recuperação e para a capacidade de resposta às necessidades das populações afectadas.
O Presidente referiu igualmente os prejuízos provocados pelas cheias e inundações mais recentes, indicando que o Governo está a mobilizar cerca de 1,6 mil milhões de dólares para apoiar a reconstrução.
Na sua intervenção, destacou a importância de fortalecer os mecanismos de prevenção, melhorar a preparação das comunidades e reforçar a coordenação entre as instituições públicas e os parceiros humanitários.
Chapo defendeu também o investimento em sistemas de aviso prévio, no ordenamento territorial e em infra-estruturas resilientes, como medidas essenciais para reduzir os impactos das calamidades e proteger vidas humanas.
A coordenadora residente e humanitária das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, defendeu uma resposta humanitária mais rápida, coordenada e próxima das populações, alertando para o aumento das necessidades de assistência, a intensificação dos desastres climáticos e a persistência da insegurança no norte do país.
“A acção humanitária é uma responsabilidade partilhada, e deve ser liderada no âmbito nacional”, afirmou, salientando que cabe ao Governo conduzir a resposta, enquanto as Nações Unidas e os parceiros internacionais devem apoiar essa liderança e reforçar as capacidades nacionais.
Sozi considerou igualmente essencial aproximar os recursos e os processos de decisão das comunidades, bem como reforçar os sistemas de aviso prévio para permitir a adopção de medidas antecipadas, com financiamento previsível e coordenação antes da ocorrência dos desastres.
Defendeu ainda maior apoio internacional à adaptação climática e soluções duradouras para as crises que afectam o país.
Por sua vez, o reitor da Universidade Licungo, Boaventura Aleixo, destacou o carácter científico e institucional do congresso, concebido para promover a partilha de experiências e a construção de parcerias entre a academia, as instituições públicas, as organizações humanitárias, a sociedade civil e os parceiros internacionais.
O responsável anunciou a apresentação de 85 comunicações, distribuídas por seis áreas temáticas, e a criação da Rede Internacional de Investigação e Acção Humanitária, com sede inicial em Moçambique, na Universidade Licungo.
A iniciativa visa assegurar a continuidade da investigação, da formação e da cooperação, estando previsto que o congresso passe a realizar-se de três em três anos, de forma rotativa, em diferentes países e universidades participantes.
(AIM)
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