Maputo, 15 Out (AIM) – O Governo moçambicano defende maior investimento público na prevenção e gestão de riscos de desastres em África, face ao aumento da frequência e da intensidade dos fenómenos climáticos extremos que afectam o continente.
A posição foi apresentada hoje, em Maputo, pelo ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, durante a Conferência Ministerial sobre a Gestão de Desastres e Resiliência em África, que visa estabelecer um compromisso comum para reforçar a capacidade dos países africanos de prevenir e responder a calamidades.
“Precisamos de reforçar a consciência dos actores estatais e não estatais sobre a nossa responsabilidade colectiva como continente”, afirmou Manasse, ao destacar a necessidade de medidas conjuntas para reduzir os efeitos das mudanças climáticas.
O quarto Relatório Bienal de África sobre a Redução de Riscos de Desastres, referente ao período 2023-2024, lançado na terça-feira pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, indica que o número de eventos registados em todas as categorias aumentou de 612 para 738, um acréscimo de 126 ocorrências.
Os dados evidenciam a necessidade de reforçar a preparação dos países para enfrentar fenómenos como secas, cheias e ciclones, através de investimentos públicos, financiamento adequado e maior capacidade de resposta.
A conferência deverá produzir um compromisso comum de África sobre a construção da resiliência aos eventos extremos e o financiamento da gestão de desastres. O documento será também enquadrado nas discussões internacionais relacionadas com o Quadro de Sendai pós-2030 e a 31.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP31).
Entre as prioridades apontadas consta a aceleração da implementação do Sistema Africano de Aviso Prévio, o reforço da capacidade dos serviços hidrometeorológicos e a melhoria das plataformas nacionais, regionais e continentais de emissão de alertas.
Manasse defendeu igualmente que os avisos cheguem às comunidades em tempo útil, através de canais de comunicação fiáveis e acessíveis, com particular atenção às zonas vulneráveis e aos assentamentos informais.
A preparação para o fenómeno El Niño constitui outra prioridade, com destaque para a elaboração de planos nacionais, a transformação agrícola e o armazenamento de alimentos e outros bens essenciais para situações de emergência.
“O que pretendemos como África é que nenhuma criança africana deve morrer porque o alerta não chegou a tempo, porque a escola não era resiliente ou porque a ponte não aguentou”, declarou.
O ministro apelou ainda a uma maior coordenação entre os países africanos, a nível nacional e continental, para assegurar uma resposta adequada aos desastres e reduzir as perdas humanas e materiais causadas por fenómenos extremos.
(AIM)
Laura Tembe (LT)/pc
