Moamba (Moçambique), 22 Out (AIM) – O Governo moçambicano pretende acelerar a construção de um mercado grossista na província de Maputo, sul do país, para reduzir os custos de transação e facilitar o escoamento da produção agrícola.
O anúncio foi feito pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante uma visita à exploração agrícola Horta Boa, localizada em Goane-1, distrito de Moamba.
“Vamos discutir com os produtores o que tem que ser feito para acelerarmos a construção do mercado comercial da província de Maputo”, disse.
Segundo o governante, a inexistência de um mercado grossista na província obriga os produtores a percorrer longas distâncias para comercializar os seus produtos, aumentando os custos de transporte e afastando-os das zonas de produção.
“Tem que procurar distâncias até ao Zimpeto (na cidade de Maputo) para depois voltar para cá”, explicou, referindo-se ao percurso que os agricultores têm de fazer para colocar a produção à venda.
O ministro indicou que pretende discutir com os produtores e as estruturas das cooperativas locais as medidas necessárias para acelerar a construção da infra-estrutura.
Segundo explicou, existe uma organização cooperativa que já dispõe de uma área própria, cuja localização deverá ser visitada para avaliar os passos a seguir.
A melhoria das condições de comercialização surge num contexto em que produtores de batata, cebola e tomate enfrentam dificuldades para vender a sua produção, devido à concorrência de produtos importados e a preços que, em determinadas ocasiões, não cobrem os custos de produção.
“Por isso que quando você vai uma vez ao mercado e perde dinheiro, perde força para continuar a produzir”, disse o titular da pasta da Agricultura, defendendo a criação de mecanismos que assegurem prioridade aos produtos nacionais.
O governante esclareceu, contudo, que privilegiar a produção nacional não significa encerrar as fronteiras às importações, uma vez que estas podem ser necessárias quando a oferta interna não for suficiente para satisfazer a procura.
“Não pode haver situações em que o produto nacional apodrece por falta de mercado, porque estamos a importar o produto da África do Sul. Isso é que não pode continuar a acontecer”, afirmou.
A visita à Horta Boa, esta quarta-feira (21), permitiu acompanhar a colheita mecanizada de batata-reno numa área de 100 hectares, com uma produção estimada entre quatro mil e cinco mil toneladas. A exploração agrícola conta com 400 trabalhadores, dos quais 120 estão envolvidos na apanha da batata.
A iniciativa enquadra-se nos esforços do Governo para reforçar a produção nacional e a segurança alimentar, melhorando as condições de comercialização e criando incentivos para que os agricultores aumentem a produção.
(AIM)
SNN/mz
