A expansão dos fundos de índice e das estratégias de
trading está fazendo as ações oscilarem como nunca – uma “
crazy opportunity” para quem tem visão de longo prazo, diz Bill Ackman.
Para o fundador da Pershing Square, os fundos indexados (como os ETFs) funcionam na prática como acionistas de longo prazo, à medida que compram os papéis para replicar índices de mercado.
Isso reduz as ações que estão efetivamente em negociação (o free float) – e com isso, qualquer ordem de compra ou venda provoca movimentos maiores nas cotações hoje em relação ao que ocorria no passado, Ackman disse no
podcast The Modern Investor.
Em paralelo, mais casas – como a Citadel e a Millennium – têm feito investimentos de curtíssimo prazo, muitas vezes alavancados, usando a enorme quantidade de dados que pode ser processada por AI, com o objetivo de capturar variações nas expectativas.
“Quando uma empresa decepciona nos resultados, ou supera as expectativas, vemos mudanças gigantescas nos preços,” disse Ackman.
Um exemplo foi o que aconteceu com a IBM, cuja ação desabou 25% no dia 14 de julho depois que as receitas do segundo tri ficaram 4% abaixo do esperado – enquanto a demanda pelos serviços da empresa, em meio à expansão da AI, é uma dúvida.
Em outra entrevista, Ackman disse que, quando começou a carreira, era raríssimo ver uma empresa do porte da IBM ter uma oscilação superior a 20% num único pregão. “Hoje isso acontece em quase toda temporada de resultados,” disse o gestor.
"Isso criou para a gente a oportunidade de comprar algumas empresas extraordinárias a preços absurdamente baixos.”
Foi o caso neste ano, quando a Pershing conseguiu bons preços de entrada em companhias que admirava há tempos: Microsoft, Amazon, Meta e Uber.
Segundo Ackman, a vantagem da Pershing é sua estrutura de capital de longo prazo, que lhe permite ignorar a cota de 31 de dezembro. “É sempre bom reportar um bom ano”, disse ele, mas este não é o objetivo principal.
Na entrevista, Ackman também falou sobre a evolução da Pershing – que cresceu no ativismo mas hoje prefere encontrar companhias que já são bem administradas e aproveitar a volatilidade para entrar a preços atraentes.
No passado, disse ele, a gestora comprava por 50 centavos um ativo que valia um dólar, esperando que algum catalisador fizesse o mercado reconhecer esse valor.
O problema é que, quando a ação se aproximava de um dólar, a oportunidade desaparecia e era necessário encontrar outro investimento.
Hoje, ele prefere comprar por 70 centavos um negócio que vale um dólar — desde que esse dólar possa se transformar em US$ 1,15, US$ 1,30, US$ 1,60.