A Anatel ampliou as licenças de espectro da Starlink no Brasil na semana passada – mas isso não quer dizer que a empresa de Elon Musk esteja próxima de se tornar uma operadora de telefonia no País,
como fez nos EUA.
Diferente dos EUA, onde comprou espectro terrestre no mercado para começar a operar, no Brasil a Starlink conseguiu mais licenças na chamada Banda S, especializada na operação de aplicações
direct-to-device (D2D), que dispensam antenas.
O D2D permitirá que a Starlink se conecte diretamente aos celulares dos usuários e venda sua internet móvel via satélite no Brasil – sem a necessidade de parceria com operadoras locais.
O problema é que, por ora, quase nenhum celular brasileiro é compatível com a Banda S.
A Starlink vai ganhar alcance em áreas rurais com as novas licenças – mas precisará participar de diversos leilões de espectro terrestre ou comprar uma operadora de telecom se quiser penetrar de fato no mercado brasileiro, um executivo veterano do setor disse ao
Brazil Journal.
Globalmente, a empresa de Musk ainda precisa acelerar seus lançamentos de satélite, o que só vai ocorrer quando a Starship começar a lançar novos satélites semanalmente.
Analistas do UBS concordam que ainda faltam à Starlink “camadas de espectro terrestre de baixa e média/alta frequências” antes de poder ser uma operadora no Brasil, além de uma infraestrutura terrestre própria e de um modelo
mobile em funcionamento.
Os analistas dizem que a empresa pode comprar licenças de espectros terrestres no País em leilões da Anatel – o que vai ajudar em sua capilaridade sem precisar negociar com concorrentes. Mas precisa de mais.
O Conselho Diretor da Anatel aprovou as licenças da Starlink por quatro votos a um, liderado pelo relator Alexandre Freire. Edson Holanda foi voto vencido.
As licenças vão até 2039.